Milhões de aposentados e pensionistas brasileiros dependem mensalmente do pagamento do INSS para garantir sua sobrevivência. A escolha do banco responsável pelo repasse é uma etapa essencial, pois influencia diretamente no acesso ao benefício, na segurança e até nos custos com tarifas e empréstimos.
Recentemente, uma notícia pegou muitos segurados de surpresa: o INSS suspendeu os pagamentos realizados pelo Banco Crefisa, uma das instituições financeiras credenciadas para repassar benefícios previdenciários. A medida, embora temporária, gerou dúvidas, insegurança e até medo entre quem já enfrenta dificuldades para lidar com burocracias bancárias.
Mas afinal, o que motivou essa decisão? Quais serão os impactos imediatos para os segurados? E, principalmente, o que cada aposentado ou pensionista precisa fazer para não ser prejudicado?
Neste artigo, vamos responder essas perguntas em detalhes, com informações claras, orientações práticas e um FAQ completo para garantir que você tenha todas as respostas em um só lugar.

Como funciona o pagamento de benefícios do INSS
Antes de falarmos especificamente da Crefisa, é importante entender como funciona a rede pagadora do INSS.
- O INSS firma convênios com bancos públicos e privados para repassar os valores de aposentadorias, pensões e auxílios.
- O segurado pode escolher em qual instituição deseja receber, entre as credenciadas.
- Caso queira, pode solicitar portabilidade gratuita para outro banco, sem custo adicional.
- Esses bancos têm a responsabilidade de disponibilizar o pagamento dentro do prazo, oferecer atendimento adequado e respeitar as normas do convênio.
Ou seja, o banco é apenas um intermediário: o dinheiro vem do Tesouro Nacional e não pode ser retido ou cancelado pela instituição financeira.
Por que o INSS suspendeu a Crefisa?
Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller, a decisão de suspender os repasses via Crefisa foi resultado de um número crescente de reclamações de beneficiários.
Os principais problemas relatados foram:
- Dificuldade de atendimento presencial e remoto – muitos segurados reclamaram que não conseguiam resolver pendências por telefone ou presencialmente.
- Ausência de caixas eletrônicos – em várias regiões, os beneficiários eram obrigados a comparecer pessoalmente em agências da Crefisa, que nem sempre existiam próximas.
- Travas na portabilidade – segurados relatavam obstáculos para transferir seu benefício para outro banco, um direito garantido por lei.
- Oferta de empréstimos com juros altos – havia denúncias de que aposentados eram pressionados a contratar crédito consignado em condições desfavoráveis.
Diante desse cenário, Waller classificou a situação como um “verdadeiro calvário” para os segurados.
Quantos beneficiários serão impactados?
De acordo com o INSS, a Crefisa era responsável por repassar mensalmente cerca de 1,7 milhão de benefícios previdenciários, o que corresponde a aproximadamente 4,25% do total de segurados.
Somente no primeiro semestre de 2025, o banco movimentou mais de R$ 25 bilhões em pagamentos.
Ou seja, trata-se de uma parcela expressiva da população de aposentados e pensionistas, o que justifica a preocupação e a necessidade de uma transição organizada.
O benefício será perdido?
Não. É essencial reforçar: a suspensão não significa que o segurado perderá o benefício.
O que acontecerá é uma migração dos pagamentos para outra instituição financeira credenciada pelo INSS. Esse processo pode gerar atrasos pontuais ou burocracias iniciais, mas o direito ao recebimento está garantido.
A legislação previdenciária é clara: o pagamento de benefícios é direito adquirido e não pode ser interrompido em razão de falhas do banco intermediário.
A base legal da decisão
A suspensão da Crefisa está amparada em normas internas do INSS e também em regras do Banco Central, que exigem das instituições financeiras transparência, eficiência e segurança na prestação de serviços aos beneficiários.
Quando há indícios de descumprimento, o INSS pode:
- Notificar o banco;
- Aplicar advertências;
- Suspender temporariamente os repasses;
- Encerrar o convênio, em casos mais graves.
No caso da Crefisa, a suspensão foi considerada necessária para proteger os segurados e reorganizar a rede de pagamentos.
O que está por trás dessa decisão?
A medida não foi tomada de forma isolada. Nos últimos anos, o INSS tem enfrentado pressão crescente para fiscalizar bancos e entidades que lidam com o pagamento de benefícios.
Em abril de 2025, uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União revelou fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões, ligados a convênios bancários.
Esse contexto fortaleceu a necessidade de maior vigilância sobre instituições como a Crefisa, especialmente diante das inúmeras queixas de beneficiários.
O que fazer se você recebia pela Crefisa?
Se o seu benefício era pago pela Crefisa, siga este passo a passo:
- Aguarde comunicado oficial – o INSS vai informar qual será o novo banco responsável pelo seu pagamento.
- Consulte o Meu INSS – pelo aplicativo ou site, você pode acompanhar a atualização da conta pagadora.
- Central 135 – em caso de dúvida, ligue gratuitamente para a central de atendimento do INSS.
- Não forneça dados a terceiros – em períodos de mudança, aumentam os golpes contra aposentados.
- Atualize seus dados cadastrais – mantenha endereço, telefone e dados bancários corretos para não ter problemas.
- Se quiser, solicite portabilidade – você pode transferir o recebimento para o banco da sua preferência, sem custo.
Riscos de golpes durante a transição
Infelizmente, momentos como este aumentam a vulnerabilidade dos aposentados. Criminosos se aproveitam da insegurança para aplicar fraudes.
Os principais golpes incluem:
- Ligações falsas se passando por funcionários do INSS ou do banco;
- Mensagens por WhatsApp com links para atualização de cadastro;
- Cobrança de taxas para liberar supostos pagamentos bloqueados.
⚠️ Importante: O INSS nunca pede senha, código de cartão ou transferência de valores. Se receber esse tipo de contato, ignore e denuncie.
Impactos para os beneficiários no dia a dia
Na prática, os principais impactos são:
- Deslocamento – muitos segurados terão que se adaptar a um novo banco, o que pode significar agências mais distantes.
- Aprendizado digital – parte da população idosa não está acostumada a aplicativos e internet banking, o que gera dificuldades.
- Possíveis atrasos – durante a migração, pode haver pequenos atrasos no crédito do benefício.
- Nova relação bancária – cada instituição tem suas próprias regras para consignado, atendimento e tarifas.
Por isso, é fundamental que o segurado fique atento, peça ajuda de familiares de confiança e acompanhe os comunicados oficiais.
FAQ – Perguntas e respostas sobre a suspensão da Crefisa
1. Por que a Crefisa foi suspensa pelo INSS?
Porque acumulava muitas reclamações de segurados, como falhas no atendimento, falta de caixas eletrônicos, dificuldades de portabilidade e empréstimos com juros abusivos.
2. Meu pagamento vai atrasar?
Pode haver atrasos temporários durante a migração, mas o benefício não será suspenso.
3. Preciso abrir conta em outro banco?
Não necessariamente. O INSS indicará uma nova instituição financeira. Você também pode solicitar portabilidade para outro banco de sua preferência.
4. Como saber para onde meu benefício foi transferido?
A consulta pode ser feita no aplicativo Meu INSS ou pela Central 135. Evite fornecer dados pessoais em links suspeitos.
5. Posso continuar pegando empréstimo consignado durante a suspensão?
Enquanto durar a transição, pode haver restrições. Após a regularização no novo banco, os consignados voltam a ser liberados.
6. Quem garante que meu dinheiro não será perdido?
A responsabilidade pelo pagamento é do INSS, não do banco. O dinheiro é garantido pelo governo federal.
7. E se eu tiver um empréstimo ativo na Crefisa?
O contrato continua válido. As parcelas serão descontadas normalmente, mesmo que o pagamento do benefício migre para outro banco.
8. A mudança é obrigatória para todos os clientes da Crefisa?
Sim, todos os beneficiários que recebiam pela Crefisa terão seus pagamentos migrados.
9. O que acontece se eu não atualizar meus dados bancários?
O pagamento pode ser retido até a atualização. Por isso, é essencial manter o cadastro em dia.
10. Quando a situação deve se normalizar?
Segundo o INSS, o ressarcimento e a transição devem estar concluídos até novembro de 2025.
Conclusão
A suspensão da Crefisa pelo INSS é um episódio que expõe os desafios da rede pagadora de benefícios no Brasil. Embora tenha gerado preocupação, é importante destacar que ninguém ficará sem receber: a medida visa proteger os segurados e garantir maior segurança e transparência nos pagamentos.
A transição pode trazer burocracia, mas também abre oportunidade para que os beneficiários escolham instituições mais seguras e convenientes. O segredo é manter-se informado, acompanhar os canais oficiais e desconfiar de golpes.
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